sábado, 1 de outubro de 2022

Peça do mês - outubro

 


Chapéu Alto (Cartola ) de José Relvas

feltro, cartão e pele

João Alves da Costa (Chapelaria da Moda, Lisboa)

Século XX

15 cm X 19 cm X 14,5 cm

CP – MA

Inv. Nº 8566.125


No mês de outubro, em que homenageamos José Relvas, no 93.º aniversário da sua morte, apresentamos um dos acessórios que utilizava quando ia a Lisboa, ao Ministério das Finanças, a sua cartola.

O chapéu alto, ou cartola é em pele preta forrado a feltro e pele. Por dentro lê-se a marca da casa Chapelaria da Moda, João Alves da Costa, 32, Rua Garrett, 34 Lisboa. Envolve a base do chapéu de forma cilíndrica uma fita de feltro também preta. As abas do chapéu são debruadas a gorgorão preto.

O Chapéu Alto, também conhecido como Cartola, foi acessório de moda masculino, utilizado entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX.

Em plena era industrial, este tipo de chapéu, adquiriu uma forma geométrica com copa alta ou média e cilíndrica-ovalada. Era feita de cartão revestido de pele com aspeto aveludado e abas curtas viradas nas extremidades laterais.

No final do século XIX, em Portugal, nas classes mais abastadas, o chapéu de coco estava na moda e o chapéu alto ficou reservado para situações de aparato. Todavia, alguns tipos de cartolas adequavam-se a qualquer hora do dia. O chapéu alto tornou-se um distintivo de ocasiões especiais ou uma marca de grandes personalidades.

O comércio desses acessórios era feito na cidade em algumas casas que duraram décadas, como é o caso da Chapelaria da Moda, em Lisboa.

Destaca-se que este chapéu poderia ter, ainda, uma grande simbologia no quotidiano, como, por exemplo, o toque no chapéu em sinal de cumprimento, o retirar do chapéu quando se entrava numa casa e especialmente numa igreja ou o atirar o chapéu ao ar como manifestação de alegria.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Peça do mês - setembro


Relógio Francês – Estilo Império

bronze dourado, ferro, madeira (pau-santo e pau-rosa) e vidro

Século XIX

56,7 cm X 41,5 cm X 22,1

CP – MA

Inv. Nº 85.496/85.497


No mês de setembro apresentamos uma obra, no âmbito das artes decorativas, um dos muitos relógicos da Casa dos Patudos.

Este é um relógio de bronze dourado e ferro, de Estilo Império. Dividido em dois registos, o primeiro, em baixo, ao modo de estilóbato, em formato paralelepipédico, é decorado na face principal e assenta sobre quatro pés de bolacha, ligeiramente salientes. A base deste é decorada, nas faces principais e laterais, com flores de lódão. Na face principal do estilóbato, ao centro, um medalhão circular, definido por uma cercadura de pérolas, no interior, uma concavidade e um friso convexo de palas. No campo, uma figura feminina, sentada numa cadeira de espaldar, de perfil, voltada para a esquerda do observador. Vestida com uma túnica cujas pontas pendem do espaldar da cadeira, tem os peitos desnudados. Os cabelos são apanhados na nuca. Com a perna esquerda mais fletida, apoia a sinistra no joelho direito, na qual segura um búzio. Amparando o queixo na dextra, apoia o cotovelo direito numa coluna truncada. Para cada lado do medalhão, um festão de motivos fitomórficos enrolados em arabesco e volutas. No registo superior eleva-se um soco de secção retangular, encimado por um vaso com asas de feição clássica, cheio de frutos, decorados no friso do bordo por óvalos e dardos e na base do recipiente com godrões, separados de um estreito friso convexo por barras. A máquina do relógio está inserida neste soco, ocupando o mostrador a parte superior da face principal. De forma circular e cor branca, com os números em numeração romana e divisões pintadas a negro, apresenta dois ponteiros da mesma cor, rematados por um círculo vazado e uma ponta setiforme. Abaixo do eixo dos ponteiros, dois orifícios, junto aos números 8 e 4, para a chave da corda. Abaixo destes, a inscrição Chatourel à Paris. Em volta do mostrador, uma cercadura com um enrolamento de cordão e pérolas. Nos cantos superiores, ornatos fitomórficos em arabesco. Em baixo, duas cornucópias, em S, contrapostas, com o extradorso, na parte inferior, encostado a um mascarão, ao centro, e rematadas por flores e folhas enroladas em volutas. Uma abertura circular, na parte posterior, permite ver a máquina e campainha do relógio. À esquerda do soco, para o observador, uma figura feminina (Pomona – deusa romana da abundância e dos pomares), de pé, trajada com uma túnica, coberta por um manto, apanhado por uma pregadeira sobre o ombro esquerdo, cuja ponta é apanhada pela sinistra, de modo a conter várias flores e frutos. Este braço apoia o cotovelo sobre o soco do relógio. A dextra, caída ao longo do tronco, segura uma coroa de flores e frutos. Descalça, avança com a perna esquerda. Uma abertura na túnica, encimada por dois botões, deixa-lha perna nua até à altura da coxa. Os cabelos, entrançados, são apanhados na nuca e cingidos por uma fita larga. Na testa, um diadema com uma roseta de quatro pétalas. No lado oposto do soco, um ancinho e uma pá cruzados em aspa. As pontas dos cabos, para baixo, são decoradas com folhagem, ao modo de corola, ornamentação que se repete junto à união com a ferramenta, num esquema de simetria, que nasce de um toro e um friso de godrões, onde assenta a folhagem. A ligação à pá faz-se por duas volutas em S, contrapostas, com um extradorso nos lados e um enrolamento para o interior, onde se encostam, ao centro, opção decorativa que se repete na outra alfaia.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Peça do mês - agosto

 

Trecho da Ericeira (Praia dos Pescadores)
Aguarela sobre papel
Alberto Sousa
1921
50 cm X 56 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.831



No mês de agosto apresentamos uma obra do aguarelista Alberto Sousa, Trecho da Ericeira. O artista nasceu em Lisboa, em 06 de dezembro de 1880 e faleceu na mesma cidade em 1961.
Em 1897 o aguarelista foi admitido no atelier de desenho industrial que Roque Gameiro dirigia na Companhia Nacional Editora. Deixou o atelier em 1903 e entrou para a Ilustração Portuguesa, a revista semanal do jornal diário de Lisboa O Século, a convite do seu diretor, Silva Graça. Expôs pela primeira vez em 1901, no Grémio Artístico.
O artista integra-se na segunda geração de pintores de ar livre, na linha de Carlos Reis. Pintou essencialmente cenas de praia e de beira-mar, tipos e costumes populares, o traje português, monumentos e arquiteturas de todo o país, tendo documentado em aguarela e ilustração o património nacional.
Em 1911 concorreu a uma exposição realizada em Madrid e em 1913 teve a sua primeira exposição individual, na redação de A Capital, passando no começo dos anos 20 a expor regularmente. Em 1914 foi nomeado conservador artístico na Inspeção das Bibliotecas e Arquivos Nacionais.
A obra Trecho da Ericeira é uma pintura a aguarela sobre papel colado em madeira, a representação de uma rampa de acesso ao areal da Ericeira.
À direita da composição, o casario, disposto ao longo da rampa, as primeiras casas apresentam um tom amarelo e ao fundo são já brancas. No chão, em primeiro plano, junto aos muros das casas, algumas âncoras e outra palamenta (boias, redes e armadilhas de pesca). Ao princípio da rampa, à direita, um soco cilíndrico. Na esquerda do quadro a rua é limitada por um muro, vendo-se uma escarpa ao fundo, numa curva do arruamento. No início do muro da rampa, em cima dele, algumas armadilhas de pesca. À sua sombra, dois pescadores sentados no chão e encostados ao muro, reparando os apetrechos pesqueiros. O do primeiro plano, descalço, veste calças azuis arregaçadas e camisa branca e castanha aos quartos; o outro veste de castanho e tem os pés calçados. Nas cabeças têm bonés.
Depois destes, outros dois pescadores são representados descalços. Um, debruçado sobre o muro, traja calças azuis, camisa branca e colete castanho e um barrete preto na cabeça; o outro, mais atrás, ligeiramente curvado para diante, veste calças azuis e camisa branca coberta por um colete vermelho, transportando algo às costas em tons de azul e castanho.
No último plano, à esquerda, algumas casas, em tons de branco, roxo e rosa. O céu, pintado em tons de azul, apresenta algumas nuvens, sobretudo no canto superior direito do quadro, brancas em cima e mais escuras na linha do horizonte. No canto inferior esquerdo, a assinatura, local e data: Alberto Souza Ericeira 1921.
A moldura é em madeira, dourada a ouro velho, com friso exterior e uma concavidade.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Peça do mês - julho

 



Tejo junto à praia do Alfeite (O lugar do Alfeite)

Óleo sobre madeira

António Ramalho

1880

48 cm X 70 cm

CP – MA

Inv. Nº 84.726

No mês de julho apresentamos uma obra do pintor António Ramalho, O lugar do Alfeite. O artista, nasceu em 1858, em Barqueiros (Mesão Frio), no seio de uma família pobre. Muito jovem vai para o Porto, onde trabalha numa marcenaria, aproveitando os tempos livres para se dedicar à pintura, foi discípulo do pintor naturalista Silva Porto, na Academia de Belas Artes de Lisboa. Em 1881 é membro fundador das exposições do Grupo do Leão e em 1882 o Marquês da Praia e Monforte concede-lhe uma bolsa de estudo em Paris, durante dois anos.

A sua obra caracteriza-se por quadros de temática realista, onde abundam as paisagens marítimas e os retratos de mulheres e crianças.

Está representado em vários museus, mas também no Palácio Soto-Maior, na Figueira da Foz, nos tetos do Teatro Garcia da Orta, em Évora e na abóboda do Palácio da Bolsa, no Porto. Faleceu subitamente na Figueira da Foz, em 1916, com 58 anos.

A obra em destaque é precisamente uma marinha, pinta-a com apenas 22 anos de idade, representa o tejo com os barcos dirigidos para a praia do Alfeite. Ao fundo e à esquerda casas do lugar do Alfeite, no monte.

No areal duas casas de madeira pintadas uma de azul e a outra de encarnado.

A moldura é em madeira e gesso dourado e trabalhada. Salientando-se um friso de pérolas e outro de folhas de loureiro.

A obra pertenceu à coleção de João Burnay.


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Peça do mês - junho


 Retrato de criança (Natália)

Óleo sobre madeira
Martinho da Fonseca
1920
58,2 cm X 54 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.713
Em Portugal é no dia 01 de junho que celebramos o dia da criança. A Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça escolheu para este mês um retrato de uma criança, a Natália. Esta era uma menina de oito anos, que foi retratada pelo pintor Martinho da Fonseca.
Martinho Gomes da Fonseca nasceu em Lisboa, no dia 03 de janeiro de 1890, foi aluno de Columbano Bordalo Pinheiro na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, tendo enveredado pela carreira docente, como professor de Artes Plásticas.
Como pintor recebeu diversos prémios, nomeadamente o Prémio Anunciação, em 1912.
Ao longo da sua carreira expôs em diversas cidades europeias e várias das suas obras constam de vários museus portugueses e de coleções particulares. É o autor do retrato de Bernardino Machado que consta na Galeria dos Presidentes da República Portuguesa.
Foi professor efetivo de Desenho das Escolas Industriais e na Sociedade Nacional de Belas-Artes da qual foi presidente. Na década de 1950 foi professor de Desenho na Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo desenvolvendo uma importante ação como divulgador dos novos conceitos estéticos da pintura nos Açores.
A 11 de outubro de 1957, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem da República. Faleceu no dia 14 de janeiro de 1972.
Natália é retratada com o seu rosto redondo emoldurado de longos cabelos louros cobertos por um vulgar chapéu de palha de abas grandes esburacadas. O rosto de criança enfeitiçou o artista que puxando pelo lápis, logo começou a desenhá-la. Na Foz do Arelho, a Natália passava montada num burro, miúda humilde de fartos cabelos e rosto enxovalhados, mas que apesar de tudo isso, deu de facto uma bela obra de arte, na sua expressão infantil, há um misto de complacência e curiosidade.
A obra está datada e assinada e foi comprada por José Relvas diretamente ao artista.

terça-feira, 10 de maio de 2022

Visita Virtual - Divindades e Episódios ligados à Mitologia na Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça.

 No dia em que a Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça, faz 62 anos de abertura ao público, um dia dedicado à Mitologia Clássica.

Uma visita virtual orientada pelo Prof. André Ferreira, em redor das divindades e episódios ligados à mitologia clássica.
A não perder às 18h30.
Inscrições: mithosgrecoromanos@gmail.com
Atividade gratuita.