sábado, 1 de outubro de 2022

Peça do mês - outubro

 


Chapéu Alto (Cartola ) de José Relvas

feltro, cartão e pele

João Alves da Costa (Chapelaria da Moda, Lisboa)

Século XX

15 cm X 19 cm X 14,5 cm

CP – MA

Inv. Nº 8566.125


No mês de outubro, em que homenageamos José Relvas, no 93.º aniversário da sua morte, apresentamos um dos acessórios que utilizava quando ia a Lisboa, ao Ministério das Finanças, a sua cartola.

O chapéu alto, ou cartola é em pele preta forrado a feltro e pele. Por dentro lê-se a marca da casa Chapelaria da Moda, João Alves da Costa, 32, Rua Garrett, 34 Lisboa. Envolve a base do chapéu de forma cilíndrica uma fita de feltro também preta. As abas do chapéu são debruadas a gorgorão preto.

O Chapéu Alto, também conhecido como Cartola, foi acessório de moda masculino, utilizado entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX.

Em plena era industrial, este tipo de chapéu, adquiriu uma forma geométrica com copa alta ou média e cilíndrica-ovalada. Era feita de cartão revestido de pele com aspeto aveludado e abas curtas viradas nas extremidades laterais.

No final do século XIX, em Portugal, nas classes mais abastadas, o chapéu de coco estava na moda e o chapéu alto ficou reservado para situações de aparato. Todavia, alguns tipos de cartolas adequavam-se a qualquer hora do dia. O chapéu alto tornou-se um distintivo de ocasiões especiais ou uma marca de grandes personalidades.

O comércio desses acessórios era feito na cidade em algumas casas que duraram décadas, como é o caso da Chapelaria da Moda, em Lisboa.

Destaca-se que este chapéu poderia ter, ainda, uma grande simbologia no quotidiano, como, por exemplo, o toque no chapéu em sinal de cumprimento, o retirar do chapéu quando se entrava numa casa e especialmente numa igreja ou o atirar o chapéu ao ar como manifestação de alegria.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Peça do mês - setembro


Relógio Francês – Estilo Império

bronze dourado, ferro, madeira (pau-santo e pau-rosa) e vidro

Século XIX

56,7 cm X 41,5 cm X 22,1

CP – MA

Inv. Nº 85.496/85.497


No mês de setembro apresentamos uma obra, no âmbito das artes decorativas, um dos muitos relógicos da Casa dos Patudos.

Este é um relógio de bronze dourado e ferro, de Estilo Império. Dividido em dois registos, o primeiro, em baixo, ao modo de estilóbato, em formato paralelepipédico, é decorado na face principal e assenta sobre quatro pés de bolacha, ligeiramente salientes. A base deste é decorada, nas faces principais e laterais, com flores de lódão. Na face principal do estilóbato, ao centro, um medalhão circular, definido por uma cercadura de pérolas, no interior, uma concavidade e um friso convexo de palas. No campo, uma figura feminina, sentada numa cadeira de espaldar, de perfil, voltada para a esquerda do observador. Vestida com uma túnica cujas pontas pendem do espaldar da cadeira, tem os peitos desnudados. Os cabelos são apanhados na nuca. Com a perna esquerda mais fletida, apoia a sinistra no joelho direito, na qual segura um búzio. Amparando o queixo na dextra, apoia o cotovelo direito numa coluna truncada. Para cada lado do medalhão, um festão de motivos fitomórficos enrolados em arabesco e volutas. No registo superior eleva-se um soco de secção retangular, encimado por um vaso com asas de feição clássica, cheio de frutos, decorados no friso do bordo por óvalos e dardos e na base do recipiente com godrões, separados de um estreito friso convexo por barras. A máquina do relógio está inserida neste soco, ocupando o mostrador a parte superior da face principal. De forma circular e cor branca, com os números em numeração romana e divisões pintadas a negro, apresenta dois ponteiros da mesma cor, rematados por um círculo vazado e uma ponta setiforme. Abaixo do eixo dos ponteiros, dois orifícios, junto aos números 8 e 4, para a chave da corda. Abaixo destes, a inscrição Chatourel à Paris. Em volta do mostrador, uma cercadura com um enrolamento de cordão e pérolas. Nos cantos superiores, ornatos fitomórficos em arabesco. Em baixo, duas cornucópias, em S, contrapostas, com o extradorso, na parte inferior, encostado a um mascarão, ao centro, e rematadas por flores e folhas enroladas em volutas. Uma abertura circular, na parte posterior, permite ver a máquina e campainha do relógio. À esquerda do soco, para o observador, uma figura feminina (Pomona – deusa romana da abundância e dos pomares), de pé, trajada com uma túnica, coberta por um manto, apanhado por uma pregadeira sobre o ombro esquerdo, cuja ponta é apanhada pela sinistra, de modo a conter várias flores e frutos. Este braço apoia o cotovelo sobre o soco do relógio. A dextra, caída ao longo do tronco, segura uma coroa de flores e frutos. Descalça, avança com a perna esquerda. Uma abertura na túnica, encimada por dois botões, deixa-lha perna nua até à altura da coxa. Os cabelos, entrançados, são apanhados na nuca e cingidos por uma fita larga. Na testa, um diadema com uma roseta de quatro pétalas. No lado oposto do soco, um ancinho e uma pá cruzados em aspa. As pontas dos cabos, para baixo, são decoradas com folhagem, ao modo de corola, ornamentação que se repete junto à união com a ferramenta, num esquema de simetria, que nasce de um toro e um friso de godrões, onde assenta a folhagem. A ligação à pá faz-se por duas volutas em S, contrapostas, com um extradorso nos lados e um enrolamento para o interior, onde se encostam, ao centro, opção decorativa que se repete na outra alfaia.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Peça do mês - agosto

 

Trecho da Ericeira (Praia dos Pescadores)
Aguarela sobre papel
Alberto Sousa
1921
50 cm X 56 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.831



No mês de agosto apresentamos uma obra do aguarelista Alberto Sousa, Trecho da Ericeira. O artista nasceu em Lisboa, em 06 de dezembro de 1880 e faleceu na mesma cidade em 1961.
Em 1897 o aguarelista foi admitido no atelier de desenho industrial que Roque Gameiro dirigia na Companhia Nacional Editora. Deixou o atelier em 1903 e entrou para a Ilustração Portuguesa, a revista semanal do jornal diário de Lisboa O Século, a convite do seu diretor, Silva Graça. Expôs pela primeira vez em 1901, no Grémio Artístico.
O artista integra-se na segunda geração de pintores de ar livre, na linha de Carlos Reis. Pintou essencialmente cenas de praia e de beira-mar, tipos e costumes populares, o traje português, monumentos e arquiteturas de todo o país, tendo documentado em aguarela e ilustração o património nacional.
Em 1911 concorreu a uma exposição realizada em Madrid e em 1913 teve a sua primeira exposição individual, na redação de A Capital, passando no começo dos anos 20 a expor regularmente. Em 1914 foi nomeado conservador artístico na Inspeção das Bibliotecas e Arquivos Nacionais.
A obra Trecho da Ericeira é uma pintura a aguarela sobre papel colado em madeira, a representação de uma rampa de acesso ao areal da Ericeira.
À direita da composição, o casario, disposto ao longo da rampa, as primeiras casas apresentam um tom amarelo e ao fundo são já brancas. No chão, em primeiro plano, junto aos muros das casas, algumas âncoras e outra palamenta (boias, redes e armadilhas de pesca). Ao princípio da rampa, à direita, um soco cilíndrico. Na esquerda do quadro a rua é limitada por um muro, vendo-se uma escarpa ao fundo, numa curva do arruamento. No início do muro da rampa, em cima dele, algumas armadilhas de pesca. À sua sombra, dois pescadores sentados no chão e encostados ao muro, reparando os apetrechos pesqueiros. O do primeiro plano, descalço, veste calças azuis arregaçadas e camisa branca e castanha aos quartos; o outro veste de castanho e tem os pés calçados. Nas cabeças têm bonés.
Depois destes, outros dois pescadores são representados descalços. Um, debruçado sobre o muro, traja calças azuis, camisa branca e colete castanho e um barrete preto na cabeça; o outro, mais atrás, ligeiramente curvado para diante, veste calças azuis e camisa branca coberta por um colete vermelho, transportando algo às costas em tons de azul e castanho.
No último plano, à esquerda, algumas casas, em tons de branco, roxo e rosa. O céu, pintado em tons de azul, apresenta algumas nuvens, sobretudo no canto superior direito do quadro, brancas em cima e mais escuras na linha do horizonte. No canto inferior esquerdo, a assinatura, local e data: Alberto Souza Ericeira 1921.
A moldura é em madeira, dourada a ouro velho, com friso exterior e uma concavidade.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Peça do mês - julho

 



Tejo junto à praia do Alfeite (O lugar do Alfeite)

Óleo sobre madeira

António Ramalho

1880

48 cm X 70 cm

CP – MA

Inv. Nº 84.726

No mês de julho apresentamos uma obra do pintor António Ramalho, O lugar do Alfeite. O artista, nasceu em 1858, em Barqueiros (Mesão Frio), no seio de uma família pobre. Muito jovem vai para o Porto, onde trabalha numa marcenaria, aproveitando os tempos livres para se dedicar à pintura, foi discípulo do pintor naturalista Silva Porto, na Academia de Belas Artes de Lisboa. Em 1881 é membro fundador das exposições do Grupo do Leão e em 1882 o Marquês da Praia e Monforte concede-lhe uma bolsa de estudo em Paris, durante dois anos.

A sua obra caracteriza-se por quadros de temática realista, onde abundam as paisagens marítimas e os retratos de mulheres e crianças.

Está representado em vários museus, mas também no Palácio Soto-Maior, na Figueira da Foz, nos tetos do Teatro Garcia da Orta, em Évora e na abóboda do Palácio da Bolsa, no Porto. Faleceu subitamente na Figueira da Foz, em 1916, com 58 anos.

A obra em destaque é precisamente uma marinha, pinta-a com apenas 22 anos de idade, representa o tejo com os barcos dirigidos para a praia do Alfeite. Ao fundo e à esquerda casas do lugar do Alfeite, no monte.

No areal duas casas de madeira pintadas uma de azul e a outra de encarnado.

A moldura é em madeira e gesso dourado e trabalhada. Salientando-se um friso de pérolas e outro de folhas de loureiro.

A obra pertenceu à coleção de João Burnay.


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Peça do mês - junho


 Retrato de criança (Natália)

Óleo sobre madeira
Martinho da Fonseca
1920
58,2 cm X 54 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.713
Em Portugal é no dia 01 de junho que celebramos o dia da criança. A Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça escolheu para este mês um retrato de uma criança, a Natália. Esta era uma menina de oito anos, que foi retratada pelo pintor Martinho da Fonseca.
Martinho Gomes da Fonseca nasceu em Lisboa, no dia 03 de janeiro de 1890, foi aluno de Columbano Bordalo Pinheiro na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, tendo enveredado pela carreira docente, como professor de Artes Plásticas.
Como pintor recebeu diversos prémios, nomeadamente o Prémio Anunciação, em 1912.
Ao longo da sua carreira expôs em diversas cidades europeias e várias das suas obras constam de vários museus portugueses e de coleções particulares. É o autor do retrato de Bernardino Machado que consta na Galeria dos Presidentes da República Portuguesa.
Foi professor efetivo de Desenho das Escolas Industriais e na Sociedade Nacional de Belas-Artes da qual foi presidente. Na década de 1950 foi professor de Desenho na Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo desenvolvendo uma importante ação como divulgador dos novos conceitos estéticos da pintura nos Açores.
A 11 de outubro de 1957, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem da República. Faleceu no dia 14 de janeiro de 1972.
Natália é retratada com o seu rosto redondo emoldurado de longos cabelos louros cobertos por um vulgar chapéu de palha de abas grandes esburacadas. O rosto de criança enfeitiçou o artista que puxando pelo lápis, logo começou a desenhá-la. Na Foz do Arelho, a Natália passava montada num burro, miúda humilde de fartos cabelos e rosto enxovalhados, mas que apesar de tudo isso, deu de facto uma bela obra de arte, na sua expressão infantil, há um misto de complacência e curiosidade.
A obra está datada e assinada e foi comprada por José Relvas diretamente ao artista.

terça-feira, 10 de maio de 2022

Visita Virtual - Divindades e Episódios ligados à Mitologia na Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça.

 No dia em que a Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça, faz 62 anos de abertura ao público, um dia dedicado à Mitologia Clássica.

Uma visita virtual orientada pelo Prof. André Ferreira, em redor das divindades e episódios ligados à mitologia clássica.
A não perder às 18h30.
Inscrições: mithosgrecoromanos@gmail.com
Atividade gratuita.

domingo, 1 de maio de 2022

Peça do mês - maio

 


Retrato de Margarida Amália Mendes de Azevedo Vasconcelos Relvas e Campos
Óleo sobre tela
José Malhoa
1887
143 cm X 110 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.261

Em Portugal é no primeiro domingo de maio que celebramos o dia da mãe. A casa dos Patudos – Museu de Alpiarça escolheu para este mês um retrato de Margarida Amália Mendes de Azevedo Vasconcelos Relvas e Campos (1837 - 1887), esposa de Carlos Augusto Relvas e Campos (1838 - 1894), e mãe de José Mascarenhas Relvas (1858 - 1929), da autoria de José Malhoa (1855 – 1933).

José Vital Branco Malhoa nasceu nas Caldas da Rainha, em 28 de abril de 1855. Com apenas 12 anos entrou para a escola da Real Academia de Belas Artes de Lisboa. Em todos os anos ganhou o primeiro prémio, devido às suas enormes faculdades e qualidades artísticas. Realizou várias exposições, tanto em Portugal como no estrangeiro, designadamente em Espanha , França e Brasil. Pioneiro do Naturalismo no nosso país, integrou o Grupo do Leão. Destacou-se também por ser um dos pintores portugueses que mais se aproximou da corrente artística do Impressionismo. Foi o primeiro presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes e foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada. Em 1933, ano da sua morte, foi criado o Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.

A obra apresentada é um retrato de Margarida Amália Relvas, numa pintura de grande formato, de circunstância, em torso com um vestido preto e apoiada num móvel, outra rosa guarnecendo o peito, a cabeça destaca-se da brancura de gola, Segura na mão direita um leque azul, a qual assenta no espaldar da cadeira, estando sobreposta pela mão esquerda, apresenta uma caracterização fisionómica opaca.

A moldura é de madeira e gesso dourado, decorada por folhas de acanto, arabescos e folhas de loureiro.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios – 18 de abril de 2022


Realiza-se no próximo dia 18 de abril o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, instituído pelo ICOMOS Internacional (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios).
O tema do ano de 2022 é: Património e Clima.
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, foi instituído em 1982 pelo ICOMOS e aprovado pela UNESCO no ano seguinte.
A temática deste ano tem como finalidade reconhecer o potencial do património cultural na construção de uma ação climática inclusiva, transformadora e justa, através da salvaguarda de todos os tipos de património cultural contra os impactos climáticos adversos, da construção de respostas informadas a situações de desastre, da implementação de um desenvolvimento sustentável resiliente ao clima, numa perspetiva de equidade e justiça.
O Dia Internacional de Monumentos e Sítios, 18 de Abril, será comemorado pelo Município de Alpiarça/Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça com o seguinte programa:
Visitas Guiadas Gratuitas à Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça Horário das Visitas
(10h15; 11h00; 11h45; 14h15; 15h15; 16h155; 17h00).
Atividades para o Pré-Escolar
Manhã – 10h00 – 11h30
Tarde – 13h30 - 15h00
- Vamos descobrir a cozinha dos patudos" - Visita animada à cozinha
- Primavera na ponta dos dedos" - Atelier de pintura com as mãos
- Desenhar à lupa" - Atelier de pesquisa da natureza e desenho à vista.
As crianças irão ser divididas em três grupos e circularão pelas três atividades.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

INFORMAÇÃO

Informamos que nos próximos dias 15, 16 e 17 de abril a Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça se encontra encerrada.

A equipe da Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça deseja a todos uma Páscoa Feliz.


quinta-feira, 31 de março de 2022

Peça do mês - abril

São Francisco de Paula

Escultura em barro policromado

Joaquim Barros

Finais do Século XVIII/Inícios do Século XIX

27 cm

CP – MA

Inv. Nº 84.121

A peça divulgada neste mês de abril é uma escultura em barro policromado, representando São Francisco de Paula, (cujo dia se comemora a 02 deste mês). Este foi o eremita fundador da ordem dos Mínimos. Nasceu a 27 de março de 1416 em Paula, Itália, no seio de uma família cristã. Os seus pais rezaram a São Francisco de Assis para poderem ter filhos e foi também a este Santo que recorreram quando o filho mais velho desenvolveu um abcesso num olho. Prometeram que se o filho (Francisco d'Alessio) se curasse usaria o hábito durante um ano completo, num dos conventos da ordem.

Aos 13 anos, após receber a visão de um frade franciscano, entra para o convento, onde passa o ano seguinte, período durante o qual dá provas de um grande amor pela oração, pela penitência e também de uma grande humildade e obediência. Após sair do convento, parte em peregrinação a locais de devoção com os pais.

Regressando a Paula, retira-se para viver em solidão dedicando-se à oração e penitência. Em 1435, juntaram-se-lhe dois companheiros e construíram três celas e uma capela, surgindo assim uma nova ordem. Com o aumento gradual dos seus discípulos, São Francisco conseguiu a permissão do arcebispo de Cosenza para a construção de um grande convento e de uma igreja. A devoção ao Santo aumentou, pelos muitos milagres que realizou.


A regra adotada por São Francisco de Paula e pelos seus seguidores foi a de uma vida de grande severidade, abstinência e pobreza, com destaque para a humildade, lema da ordem. Francisco de Paula recusou ser ordenado sacerdote, mas obteve da Santa Sé a permissão da designação de Ordem dos Mínimos, os últimos de todos os religiosos. O rei Luís XI de França nutria uma grande admiração por ele. Quando se encontrava moribundo, mandou chamá-lo para que este o preparasse para a sua derradeira viagem. Os seus sucessores, Carlos VIII e Luís XII, mantiveram-no junto da corte como consultor. Foi em Tours, França, que veio a falecer, a 2 de abril de 1507. Doze anos após a sua morte, a 1 de maio, foi canonizado durante o pontificado do Papa Leão X.

A escultura de fabrico português, da autoria de Joaquim Barros (1762-1820), representa um frade, com rosto de idoso e uma barba comprida. Este tem a mão direita encostada ao peito. Veste um hábito de cor preta pintado com folha dourada, as mangas são decoradas com motivos muito trabalhados. O santo tem à cintura um crucifixo de cor castanha, que pende de uma corda formada por duas fiadas. A forma como foi representado é em estado de total contemplação.

 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Exposição Temporária: A mulher na coleção de arte de José Relvas

Exposição Temporária

A mulher na coleção de arte de José Relvas
Galeria da Casa dos Patudos
16h00 - Abertura da Exposição.
Estará patente de 06 de março a 10 de abril de 2022.
Entrada Gratuita.



Comemorações do 164º Aniversário de José Relvas


José Relvas nasceu há 164 Anos.
Homenageamos José de Mascarenhas Relvas (05/03/1858) com o seguinte programa:
Dia 05 de março
21h:30 – Concerto: Um Violino na Casa dos Patudos.
Salão Nobre da Casa dos Patudos.
(Entrada Gratuita)
Dia 06 de março
16h00 - Abertura da Exposição: A Mulher na Coleção de Arte de José Relvas
Galeria da Casa dos Patudos
(Entrada Gratuita)
Dias 05 e 06 de março.
Visitas Guiadas Gratuitas à Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça.
Período da Manhã:
10h15, 11h00, 11h45.
Período da Tarde:
14h15, 15h00, 15h45, 16h30.
Aceite o convite.

terça-feira, 1 de março de 2022

Peça do Mês - Março

 


Placa de prata com inscrição

Prata

1925

17,1 cm X 13,5 cm

CP – MA

Inv. Nº 84.254


A peça divulgada neste mês de março, mês do aniversário de José Relvas (05-03-1958), apresentamos uma peça que foi uma oferta da sua irmã, Maria Clementina Relvas, uma placa de prata com uma dedicatória a seu irmão. A placa de prata polida tem as seguintes inscrições:

Le langage le plus éloquent

Que puisse sur la terre exister,

Est dans mon cœur reconnaissant

En pensant à toutes Tes bontés!



Accepte cet insignifiant souvenir,

Que Te prouvera à tout moment,

Mieux que je ne saurais Te dire,

Tout ce que pour Toi je ressens !



A linguagem mais eloquente

Que possa na terra existir,

Está no meu coração grato

Pensando em todas as Tuas bondades!



Aceita esta insignificante lembrança,

Que Te irá provar a todo momento,

Melhor do que saberei dizer-Te,

Tudo o que sinto por Ti!

No canto inferior esquerdo pode ler-se a seguinte menção:

Ao excelentíssimo Senhor José Relvas felicita-o a sua muito amiga e grata irmã Maria Clementina Relvas. Tem a data 5 de março de 1925. Esta placa encontra-se dentro de uma caixa de madeira forrada a veludo roxo e a parte inferior (exterior) forrada a cetim encarnado.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Peça do mês - Fevereiro

 


Colcha de Castelo Branco

Seda sobre fio de seda

Séc. XVII

2695 cm X182 cm

CP – MA

Inv. Nº 84.65

A peça divulgada neste mês de fevereiro é uma colcha de Castelo Branco em seda natural, apresenta um bordado a cheio e ponto pé de flor, com linhas de seda. Os motivos apresentados são motivos: florais, aves e figuras zoomórficas.

A colcha apresentada é bordada a seda sobre fio de seda (o que a torna um exemplar raro), em linhas de tons azul, rosa, verde, castanho e branco, a seda é amarela dourada. Ao centro tem um medalhão com a representação de uma pomba que ostenta um cravo no bico; esta figura é envolvida por motivos florais; o medalhão forma duas cercaduras ovais em tons de azul. Este motivo central é decorado por outras pombas e intervalado por motivos florais. A colcha é debruada a franja de seda em tom de castanho e forrada por um tecido alinhado que forma ramagens em tons de encarnado.

O bordado de Castelo Branco tem características que o tornam único e distinto entre os bordados portugueses, os motivos têm uma estética que corresponde a uma gramática visual própria. A intensidade das cores e a luz é conferida pelos fios de seda, bordados sobre a base de linho artesanal cru. Os motivos tem uma simbologia própria que o observador é convidado a descobrir: a árvore da vida, os pássaros, os cravos, as rosas, os lírios, as romãs ou os corações, todos com um perfil claramente exótico. As colchas de Castelo Branco são peças únicas que valem por si, pela originalidade da sua expressão artística.

sábado, 1 de janeiro de 2022

Peça do mês - Janeiro

O Bebé

Escultura em mármore esculpido
1897
25 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.735

Teixeira Lopes



A peça divulgada neste mês de janeiro é uma escultura em mármore branco, intitulada O Bebé, da autoria de António Teixeira Lopes (1866-1942). Trata-se de um busto esculpido, no qual se apresenta um bebé com uma gorjeira folheada e uma chemise com volume nas mangas e rufos nos punhos. Considera-se a possibilidade do busto ser do infante D. Luís Filipe (1887-1908), e uma encomenda da rainha-avó, D. Maria Pia (1847-1911). Apesar de não haver certezas na identificação iconográfica, há notáveis semelhanças com uma fotografia, amplamente divulgada, do príncipe ao colo da sua avó. Obra semelhante existe na Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia, em barro cozido, intitulada Um Busto de Menino.

O escultor António Teixeira Lopes, nasceu em Vila Nova de Gaia, a 24 de outubro de 1866, filho do também escultor José Joaquim Teixeira Lopes e de Raquel Pereira de Meireles. Inicia a aprendizagem de escultura na oficina do seu pai, em 1881 e no ano seguinte ingressou na Academia Portuense de Belas-Artes, onde foi aluno de Soares dos Reis e Marques de Oliveira. No ano de 1885 (quando frequentava o terceiro ano do curso) muda-se para Paris para completar os seus estudos, é aluno na École des Beaux-Arts, onde teve como orientadores Gauthier e Berthet, obtendo vários prémios. Nos anos seguintes continuou a apresentar trabalhos em exposições (em Portugal e França). No ano de 1895, com projeto do seu irmão, o arquiteto José Teixeira Lopes construiu o seu atelier na Rua do Marquês de Sá da Bandeira, em Vila Nova de Gaia, onde hoje se situa a Casa-Museu Teixeira Lopes e onde se preserva uma parte significativa da sua obra.

Em 1900 participou na Exposição Universal de Paris, tendo obtido um Grand Prix e a condecoração de Cavaleiro da Legião de Honra. Esse sucesso consolidou a sua posição e, em 1901, assumiu o lugar de professor de escultura da Academia Portuense de Belas-Artes, que manteve até 1936 (ano da sua jubilação). Teixeira Lopes é autor de um conjunto importante de esculturas que se encontram em Portugal e no Brasil, das quais se destacam as portas de bronze da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Ao longo da sua carreira artística recebe vários prémios e condecorações. Vem a falecer com 75 anos de idade, em São Mamede de Ribatua (Alijó).

A obra de arte apresentada foi adquirida, por José Relvas (1858-1929), na 7ª Exposição do Grémio Artístico de Lisboa, no dia 15 de maio de 1897, por 200 mil reis.